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Reintroduzir uma espécie significa recolocá-la em uma área dentro de sua distribuição geográfica original, onde ela tenha sido extinta como resultado de impactos ambientais das ações humanas. Esta atividade é frequentemente realizada com animais silvestres ou com espécies da flora de interesse especial para conservação, como exemplo espécies ameaçadas.


Reófitas são plantas que ocorrem naturalmente às margens e ou ilhas rochosas de rios de fluxo rápido e encachoeirados. Exclusiva destes ambientes, a bromeliaceae Dyckia distachya Hassler originalmente possuía nove populações disjuntas ao longo da Bacia Hidrográfica do Rio Uruguai. Devido ao aproveitamento hidrelétrico desta Bacia Hidrográfica, oito das nove populações desta espécie foram localmente extintas. Com a finalidade de evitar a extinção local da espécie, foi elaborado um plano de conservação incluindo atividades de salvamento das populações naturais, relocação para afluentes do AHE de Barra Grande (conservação inter situ) e a manutenção de uma população de referência em viveiro (conservação ex situ).

A Meio Biótico Serviços Ambientais foi responsável pela execução deste projeto durante os anos de 2009 a 2012, possuindo como grande desafio, a ampliação das áreas de relocação para locais semelhantes aos originais da espécie, onde as plantas reintroduzidas pudessem se estabelecer com sucesso formando populações autônomas, capazes de sobreviver por diversas gerações. Nesse processo, apresentamos como diferencial a preocupação com a conservação genética da espécie, propondo novas metodologias, ampliando a coleção de referencia dessa bromélia, por meio do cruzamento das populações matrizes para formação de megapopulações, aumentando o numero efetivo populacional por meio da a introdução de populações anequietaneas (com mudas de plantas adultas, jovens e sementes) e criando uma dinâmica de metapopulações. Além disso a adaptação da Dyckia distachya aos novos locais de reintrodução permitiu que a espécie produzisse flores e sementes, resultando no recrutamento de indivíduos e o início da formação de novas colônias.

Como reconhecimento, este projeto rendeu a BAESA (empresa gestora da Usina), os prêmios: Fritz Muller 2009, realizado pela FATMA (Fundação de Meio Ambiente) na categoria de Gestão Socioambiental; Empresa Cidadã ADVB 2010 na categoria Preservação Ambiental; 18º Prêmio Expressão de Ecologia, promovido pela Editora Expressão e certificado pelo Ministério do Meio Ambiente, na categoria Recuperação de Áreas Degradadas; e Prêmio Ética nos Negócios 2011 na categoria meio ambiente, promovido pelo Instituto Brasileiro de Ética nos Negócios.

Atualmente, o projeto foi dispensado das condicionantes da licença de operação da Usina Hidrelétrica de Barra Grande, mas ainda é recomendada a manutenção de um plano de conservação para os locais de reintrodução da espécie.